{"id":36,"date":"2013-04-14T01:42:17","date_gmt":"2013-04-14T01:42:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.institutolongtao.com.br\/blog\/?p=17"},"modified":"2020-11-13T20:45:16","modified_gmt":"2020-11-13T23:45:16","slug":"entre-os-mais-pobres-71-abusam-do-alcool","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/institutolongtao.com.br\/blog\/2013\/04\/14\/entre-os-mais-pobres-71-abusam-do-alcool\/","title":{"rendered":"Entre os mais pobres, 71% abusam do \u00e1lcool"},"content":{"rendered":"<p class=\"estimated-read-time\">Tempo de leitura:<small> 3 minutos<\/small><\/p> \n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/institutolongtao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/the-customary-62252_640.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2233\" width=\"559\" height=\"372\" srcset=\"http:\/\/institutolongtao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/the-customary-62252_640.jpg 640w, http:\/\/institutolongtao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/the-customary-62252_640-300x200.jpg 300w, http:\/\/institutolongtao.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/the-customary-62252_640-370x247.jpg 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 559px) 100vw, 559px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Sete entre cada dez brasileiros que ganham menos de R$ 1 mil por m\u00eas bebem de forma abusiva. O consumo, que j\u00e1 era bastante expressivo, aumentou muito nessa parcela da popula\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos seis anos, segundo o Levantamento Nacional de \u00c1lcool, feito pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO fen\u00f4meno neutraliza benef\u00edcios da melhoria de renda e ajuda a perpetuar o ciclo de baixa qualidade de vida\u201d, avalia o coordenador do trabalho, Ronaldo Laranjeira, da Unifesp.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento mostra que, quanto menor a renda, maior o consumo excessivo de \u00e1lcool. Na classe E, 71% bebem de forma exagerada; na C o \u00edndice \u00e9 de 60%, na B de 56% e na A de 45%. A l\u00f3gica se repete quando se analisa o crescimento do consumo excessivo entre os diferentes grupos sociais. Quanto menor a renda, maior o aumento no per\u00edodo avaliado, de 2006 a 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo foi feito com base em dados de 4.607 pessoas com mais de 14 anos, coletados em 149 munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>Para homens, \u00e9 considerado beber de forma abusiva o consumo de ao menos cinco doses de bebida em um per\u00edodo de duas horas. Entre mulheres, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de quatro doses em duas horas. Uma dose equivale a uma lata de cerveja, uma ta\u00e7a de vinho ou uma dose de pinga.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Renato Meirelles, s\u00f3cio-diretor do Instituto Data Popular, especializado em pesquisas de consumo nas classes C e D, a melhora do padr\u00e3o de vida promove a diversifica\u00e7\u00e3o de compras de produtos industrializados. E, assim, o \u00e1lcool vem ganhando espa\u00e7o. O Data Popular observou dois movimentos que evidenciam a melhoria da renda, que se destacam no Nordeste: \u201cQuem come\u00e7a a ganhar mais dinheiro na classe C passa a comprar destilados como u\u00edsque e vodka, enquanto as classes D e E mudam da pinga para a cerveja\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Meirelles relata as raz\u00f5es para o consumo ter se modificado. \u201cAntes, a bebida era vinculada ao \u2018esquecer da vida\u2019; o consumo de \u00e1lcool principalmente nas classes C e D era atrelado a uma esp\u00e9cie de fuga. O que a gente come\u00e7a a encontrar hoje \u00e9 o \u00e1lcool associado aos momentos de lazer, entretenimento e celebra\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sa\u00fade p\u00fablica.&nbsp;<\/strong>Para Laranjeira, o fen\u00f4meno trar\u00e1 problemas a curto e m\u00e9dio prazo. \u201cN\u00e3o tenho d\u00favida de que, dentro de alguns anos, esse aumento poder\u00e1 ser visto nas contas p\u00fablicas.\u201d Ele observa que as classes menos privilegiadas dependem essencialmente de servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade. \u201cO consumo excessivo de bebidas alco\u00f3licas aumenta o risco de c\u00e2ncer e outras doen\u00e7as. Isso acabar\u00e1 no SUS.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>L., de 61 anos, \u00e9 um exemplo de quem teve de recorrer \u00e0 rede p\u00fablica. Em tratamento h\u00e1 dois anos e meio, ele conta que passou a beber quando era adolescente, mas foi aos 50 anos que percebeu que a situa\u00e7\u00e3o estava fora de controle. \u201cCome\u00e7ava \u00e0s 8 horas e continuava ao longo do dia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>L. faz artesanato em madeira com a mulher, mas a renda dos dois n\u00e3o chega a dois sal\u00e1rios m\u00ednimos. \u201cA falta de perspectivas financeiras piora a situa\u00e7\u00e3o. Problemas com dinheiro me estimulam a beber\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o m\u00e9dico Vilmar Ezequiel dos Santos, gerente do Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (Caps) de Santana, \u00e9 preciso compreender o consumo do \u00e1lcool em cada uma das classes sociais. \u201cA forma de consumir, o valor que se d\u00e1 ao consumo e o desfecho do problema em cada uma das camadas da sociedade s\u00e3o diversos.\u201d Embora tenha havido mudan\u00e7as, Santos destaca que nas classes D e E o \u00e1lcool \u00e9 socialmente mais aceit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o Brasil tem 329 Caps, com capacidade para realizar 7,8 milh\u00f5es de atendimentos ao ano. De 2011 para 2012, os procedimentos aumentaram 25,8%.<\/p>\n\n\n\n<p>Laranjeira diz que os resultados do estudo evidenciam o quanto as pessoas mais pobres sofrem com a aus\u00eancia de uma estrat\u00e9gia efetiva do governo para a preven\u00e7\u00e3o do abuso de \u00e1lcool. \u201cEssa pol\u00edtica \u00e9 acovardada\u201d, constata. \u201cA \u00fanica mensagem que ouvimos \u00e9 a de n\u00e3o associar dire\u00e7\u00e3o e bebida. Todos, incluindo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, ficam cheios de dedos para colocar em pr\u00e1tica a\u00e7\u00f5es mais agressivas.\u201d \/ M\u00d4NICA REOLOM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><small> 3 minutos<\/small> Sete entre cada dez brasileiros que ganham menos de R$ 1 mil por m\u00eas bebem de forma abusiva. 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