Outubro Rosa: terapias complementares no cuidado de quem enfrenta o câncer de mama
Outubro é o mês em que o Brasil se veste de rosa para lembrar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Para quem está em tratamento, ou já terminou uma etapa dele, o cuidado vai além da consulta e do exame: muitas mulheres buscam formas de aliviar o desconforto, acalmar a mente e atravessar esse período com mais acolhimento.
O que é o câncer de mama
O câncer de mama acontece quando células da mama passam a se multiplicar de forma desordenada, formando um tumor. É o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil, mas também é um dos que mais respondem bem ao tratamento, principalmente quando descoberto cedo.
Cuidados e diagnóstico precoce
- Observe suas mamas e procure o médico diante de qualquer mudança, como nódulo, secreção no mamilo, alteração na pele ou na forma da mama;
- Faça o acompanhamento médico regular e os exames indicados para a sua idade e o seu histórico, como o exame clínico das mamas e a mamografia;
- Hábitos saudáveis ajudam: alimentação equilibrada, atividade física regular, pouco álcool e sem cigarro.
Como é o tratamento
O tratamento é definido pela equipe médica para cada paciente, de acordo com o tipo e o estágio da doença. Pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo, isoladas ou combinadas. Cada etapa tem seu tempo, e é natural passar por momentos de cansaço, medo e dúvida.
Uma mensagem de esperança
As perspectivas de cura são muito boas: quando o câncer de mama é descoberto no início e tratado corretamente, as chances de cura são altas, e a medicina avança a cada ano, com tratamentos cada vez mais eficazes e menos agressivos. Se você está em tratamento, saiba que muitas mulheres já passaram por esse caminho e seguem vivendo bem. Cada etapa vencida é uma conquista, e você não está sozinha.
É aí que entram as terapias complementares. Elas não substituem o tratamento indicado pela equipe médica, mas caminham ao lado dele, somando cuidado, acolhimento e bem-estar, sempre com conhecimento e autorização do oncologista. A medicina convencional e as terapias integrativas não competem: se complementam.
O que a ciência já reconhece
Em 2017, a Sociedade de Oncologia Integrativa (SIO) publicou uma diretriz sobre o uso de terapias integrativas durante e depois do tratamento do câncer de mama, depois endossada pela ASCO, uma das principais sociedades de oncologia do mundo. Em resumo, a ciência já reconhece o valor de várias dessas práticas:
- Ansiedade e estresse: meditação, ioga, musicoterapia e técnicas de manejo do estresse são recomendadas;
- Humor e depressão: meditação, relaxamento, ioga, massagem e musicoterapia aparecem entre as opções recomendadas;
- Náuseas da quimioterapia: acupuntura e acupressão podem ser usadas junto com os medicamentos antináuseas;
- Qualidade de vida: meditação e ioga mostraram os resultados mais consistentes.
Outras técnicas, como as que você conhece abaixo, também fazem parte dessa abordagem de cuidado integral, e novas pesquisas vêm ampliando o que se sabe sobre cada uma delas.
Auriculoterapia e acupuntura
Revisões de estudos apontam que a auriculoterapia, com sementes ou agulhas, pode ajudar a reduzir a dor em mulheres com câncer de mama, principalmente dores musculares, nas articulações e no pós-operatório. Um estudo brasileiro com acupressão auricular durante a quimioterapia também apontou melhora na qualidade de vida. É um campo que segue crescendo, com cada vez mais pesquisas.
Drenagem linfática manual
Depois de cirurgias que retiram linfonodos da axila, algumas mulheres desenvolvem inchaço no braço, o linfedema. A drenagem linfática manual é uma técnica conhecida nesse cuidado, mas deve ser feita somente por profissional treinado e com liberação médica, porque cada caso exige adaptações, como evitar procedimentos em áreas de cicatrização recente ou de radioterapia.
Aromaterapia e Florais de Bach
Muitas pacientes relatam que os aromas suaves e os florais trazem sensação de calma e conforto emocional. Por serem práticas de cuidado e bem-estar, são um apoio valioso ao acolhimento, e a pesquisa sobre elas segue avançando. Atenção: alguns óleos essenciais podem interagir com tratamentos ou causar alergias, então sempre avise a equipe médica e converse com um terapeuta qualificado.
Cuidados importantes
- Converse com o oncologista antes de iniciar qualquer terapia complementar;
- Escolha profissionais qualificados, com experiência em atender pacientes oncológicas;
- Nenhum estudo mostra a cura do câncer com terapias complementares. O valor delas está em melhorar a qualidade de vida e a saúde mental de quem está em tratamento, e por isso elas devem andar junto com o tratamento médico, nunca no lugar dele: abandonar ou atrasar o tratamento pode reduzir as chances de sucesso;
- Procure atendimento médico diante de qualquer sinal novo, como nódulos, secreção ou alterações na mama, e faça os exames de rotina indicados para a sua idade.
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Sobre a autora
Dra. Camille Elenne Egidio é Diretora Geral e coordenadora dos cursos do Instituto Long Tao. Graduada em Fisioterapia e especialista em Acupuntura e Terapias Integrativas, atua há mais de 25 anos como acupunturista e professora de Medicina Tradicional Chinesa.
Referências
- ASCO: Integrative Therapies During and After Breast Cancer Treatment (endosso da diretriz SIO)
- SIO guideline on the use of integrative therapies for breast cancer
- USP: terapias auriculares e dor em mulheres com câncer de mama (revisão sistemática)
Conteúdo informativo, não substitui consulta com profissional de saúde.
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