A Grande Muralha da China
长城Chángchéng
A obra mais célebre da China, que você percorre no passeio incluso da jornada, no trecho de Mutianyu.
A história da Grande Muralha
Dos Reinos Combatentes ao primeiro imperador
Os primeiros muros de defesa datam do século VII a.C. No período dos Reinos Combatentes, estados rivais como Qi, Yan, Zhao e Qin ergueram fortificações de terra socada e pedra para se proteger uns dos outros e dos povos nômades do norte.
Depois de unificar a China em 221 a.C., Qin Shi Huang, o primeiro imperador, mandou ligar os trechos que restavam ao longo da fronteira norte, contra os Xiongnu. Nascia ali a ideia de uma única "longa muralha": é o que significa o nome chinês, Changcheng.
Os Han e a Rota da Seda
A dinastia Han (206 a.C. a 220 d.C.) levou as fortificações para o oeste, pelo corredor de Hexi, até as passagens de Yumen e Yang, perto de Dunhuang, na atual província de Gansu. Ali a muralha protegia as caravanas da Rota da Seda e permitia controlar quem entrava e saía do império.
A muralha que vemos hoje é da dinastia Ming
Depois da derrota na Batalha de Tumu, em 1449, a dinastia Ming passou a reforçar a fronteira norte. As novas obras trocaram a terra socada por tijolo e pedra e ficaram mais altas e elaboradas. Só entre 1567 e 1570 foram erguidas cerca de 1.200 torres de vigia entre o Passo de Shanhai e Changping.
A maior parte do que os visitantes percorrem hoje perto de Beijing, como Mutianyu, Badaling e Jinshanling, é dessa época.
Defesa, sinais e controle
Mais do que um muro, a Grande Muralha era um sistema: torres de vigia, quartéis, guarnições e torres de sinalização que transmitiam alertas com fumaça durante o dia e fogo à noite.
Também funcionava como fronteira administrativa, regulando a migração e o comércio e permitindo a cobrança de impostos sobre as mercadorias que circulavam pela Rota da Seda.
Do tamanho de um continente
Um levantamento oficial concluído em 2012 pela administração chinesa do patrimônio cultural somou 21.196 km de muros, trincheiras e trechos de todas as épocas. Só a muralha da dinastia Ming tem cerca de 8.850 km.
Um mito comum: a muralha não pode ser vista a olho nu da Lua. Mesmo da órbita baixa da Terra, segundo a NASA, ela mal se distingue, e só em condições quase perfeitas. Desde 1987, a Grande Muralha é Patrimônio Mundial da UNESCO.
Mutianyu, o trecho que visitamos
Mutianyu fica no distrito de Huairou, a cerca de 70 km a nordeste do centro de Beijing. O trecho foi erguido pela primeira vez no século VI, na dinastia Qi do Norte, e reconstruído na dinastia Ming. A parte restaurada tem cerca de 2,25 km, com 22 torres de vigia bem próximas umas das outras, construída sobretudo em granito.
Um detalhe raro: aqui há ameias nos dois lados do caminho, o que permitia aos arqueiros atirar para fora e para dentro. A subida pode ser feita a pé, por teleférico ou por telecadeira, e a descida pode ser no famoso tobogã, um trenó individual que desce a montanha sobre um trilho metálico. É também um trecho bem menos lotado que Badaling, o mais visitado de todos.
A lenda de Meng Jiangnü
Uma das quatro grandes lendas populares da China conta que, na época do primeiro imperador, o marido de Meng Jiangnü foi recrutado para os trabalhos na muralha. Quando ela chegou levando roupas de inverno, soube que ele havia morrido. Meng Jiangnü chorou tanto que um trecho da muralha desabou, revelando os ossos do marido. A história lembra o enorme custo humano da construção.
Imagens de A Grande Muralha da China
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