Drenagem Linfática Manual (DLM) no Tratamento Pós Cirúrgico de Câncer (CA) de Mama – Por Melissa Betel

Tempo de leitura: 5 minutos

O câncer é resultado de uma perda dos mecanismos que regulam e comandam o comportamento normal das células, que crescem e se dividem de maneira descontrolada espalhando-se pelo organismo atrapalhando a função dos tecidos e órgãos normais (MOTA, 2010).

A designação de câncer de mama refere-se ao carcinoma que se origina nas estruturas glandulares e de ductos da mama.

Há vários tipos de câncer de mama, sendo que alguns são bastante raros. Em alguns casos, um único tumor na mama pode ser uma combinação de vários tipos de tumores. O carcinoma de mama pode ter sua evolução lenta ou rápida. Depende do tempo de duplicação celular e outras características biológicas de progressão. É a neoplasia que mais acomete mulheres, entre 40 e 69 anos, e o segundo tipo de câncer mais frequente no Brasil e no mundo, logo depois do melanoma não maligno.

A etapa mais incisiva do tratamento para o câncer de mama é a cirurgia. Podem ser realizadas cirurgias conservadoras, como a tumorectomia (retirada apenas do tumor) e a quadrandectomia (retirada do quadrante onde se localiza o tumor) ou a mastectomia radical, que pode vir acompanhada com ou não de linfadenectomia axilar, podendo também ser acompanhada da retirada ou não do músculo peitoral maior.

Após a cirurgia podem ocorrer várias complicações pós cirúrgicas, como o aparecimento de fibroses, alterações circulatórias e respiratórias, parestesias, dor, rigidez, linfedema, entre outras.

O linfedema braquial pós-mastectomia radical é a alteração mais comum após a cirurgia. É uma síndrome de causas múltiplas, na qual existe acúmulo excessivo de líquido, com alta concentração proteica, em partes do braço ou nele todo, causada pela destruição do sistema linfático e dificuldade de regeneração do mesmo.

A probabilidade de ocorrência de linfedema é maior quando se faz a remoção cirúrgica da cadeia axilar e nodos linfáticos. Sendo que que o risco aumenta quando se associa esse procedimento cirúrgico a radioterapia na região axilar e fossa subclávia. Isso ocorre pelo aparecimento de tecido cicatricial na região.

O tratamento do linfedema deve ser feito através da drenagem linfática manual, fortalecimento e alongamento muscular e massagem de fricção sobre a cicatriz. Sendo que seu tratamento deve ser iniciado o mais breve possível para evitar sua instalação no membro, lembrando que após instalado o quadro de linfedema não há mais cura para o mesmo, apenas controle.

A DLM pode ser iniciada nos primeiros dias de pós-operatório, respeitando o limite de dor da paciente, visando sempre uma recuperação eficiente, preservando os movimentos do membro ou mantendo-os o mais próximo e mais funcional possível.

A DLM no pós operatório do CA de mama irá estimular a absorção e o transporte de líquidos intersticiais, de uma área em congestão até outras regiões que possuam linfonodos preservados e em perfeito funcionamento. Também irá atuar dissolvendo fibroses linfostáticas, estimulando a formação de neoanastomoses linfáticas, estimulando o trabalho dos capilares linfáticos e estimulando a motricidade dos linfagions.

Isolada, a DLM não é eficaz no tratamento do linfedema. Deve ser associada a Bandagem Compressiva do membro, com a finalidade de manter o membro com o menor volume possível pois irá causar um aumento moderado na pressão total do tecido aumentando assim a absorção da linfa pelos capilares e auxiliando no bombeamento dos linfagions, pois irá exercer uma compressão externa criando um suporte semirrígido, promovendo resistência ao movimento de contração muscular.

A DLM deve ser iniciada no tronco contra lateral ao edema, ou seja, no quadrante livre de edema com a finalidade de aumentar a atividade linfocinética. Este aumento de atividade faz com que o quadrante edemaciado seja beneficiado pela drenagem entre as anastomoses dos capilares linfáticos existentes entre eles. A descongestão linfática do quadrante homolateral ao linfedema permite que a linfa do membro edemaciado passe através dos canais linfáticos dilatados para o quadrante normal. Isto promoverá uma descongestão linfática e irá preparar as regiões não afetadas para receber a linfa das regiões bloqueadas.

As manobras devem ser iniciadas com a manobra de evacuação sobre a axila contralateral, fossa subclávia, região pubiana, região inguinal e região poplítea.

Iniciar os movimentos de DLM na mama íntegra, depois tórax e braço contralateral íntegro. Visando à preparação da área para recebimento da linfa da região congestionada.

Iniciar a DLM da mama, tórax e membro superior comprometido sempre com movimentos de bombeamento de proximal para distal para auxiliar o descongestionamento da área.

Drenar a região torácica abaixo da cirurgia e cisterna do quilo associando a respiração diafragmática. Drenar os membros inferiores e região do dorso.

Sempre observar se foram retirados os linfonodos da região axilar da mama comprometida. Caso estejam íntegros, a mama, o tórax e o membro superior homolateral deverá ser drenado para a axila homolateral a cirurgia. Caso os linfonodos tenham sido retirados, devemos utilizar a drenagem reversa, ou seja, conduzir a linfa da região comprometida para a axila contralateral íntegra.

Melissa Betel  é fisioterapeuta (CREFITO-3/71.386-F) e professora dos cursos de Terapias Corporais e Faciais Estéticas do Instituto Long Tao.

12 Comentários


    1. Olá Erli, basta entrar em contato conosco pelos telefones F.(11) 4991-1552 ou no Whatsapp F. 97522-1552 ou ainda através no nosso site: http://www.institutolongtao.com.br

      Seja muito bem-vinda ao Instituto Long Tao.

      Obrigada por participar do nosso blog,

      Atenciosamente,
      Camille Elenne Egídio
      Diretora-Geral do Instituto Long Tao.

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    2. Boa tarde.
      Gostaria de saber se esse curso é em São Paulo.
      Contato (enddereço / telefone)
      É presencial ?
      Data ???
      Obrigada.

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    1. Olá Telma, fico feliz que tenha gostado da nossa matéria.

      Obrigada por participar do nosso blog!

      Cordialmente,
      Camille Elenne Egídio – Diretora-Geral do Instituto Long Tao.

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    1. Olá Maria José, fico feliz que tenha gostado da nossa matéria.

      Obrigada por participar do nosso blog!

      Cordialmente,
      Camille Elenne Egídio – Diretora-Geral do Instituto Long Tao.

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    1. Olá Luciana, infelizmente no momento ainda não temos turmas no RJ.

      Obrigada por participar do nosso blog,
      Camille – Diretora-Geral do Instituto Long Tao.

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